Cecília Lemes
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Elenco / María Antonieta de las Nieves

atriz · cantora · dubladora · locutora · comediante · empresária
María Antonieta Gómez Rodríguez · 1,52 m · 1957–presente
22.12.1946 — Cidade do México, México
Atriz, dubladora, cantora e empresária mexicana, María Antonieta de las Nieves é um ícone inquestionável da cultura pop latina por sua lendária interpretação da menina Chiquinha (La Chilindrina), além de personagens secundárias como Dona Neves e Bruxa Baratuxa. Começou sua carreira artística de forma brilhante ainda na infância. Sua relação com Roberto Gómez Bolaños foi marcada por momentos de profundo carinho seguidos de uma guerra judicial brutal pelos direitos da personagem Chiquinha, o que quase lhe custou a vida em 2002. Possui um recorde no Guinness pela longevidade do papel, sendo a atriz que por mais tempo vestiu a pele de uma mesma personagem infantil no mundo.
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María Antonieta revelou seu talento para as artes cênicas de forma excepcionalmente precoce. Aos 11 anos atuou no filme O Tiro de Graça (1961), e aos 14 anos tornou-se protagonista da novela mexicana La Leona, papel que lhe rendeu por duas vezes (1963 e 1965) o prêmio de melhor atriz infantil do México. Também se destacou desde cedo como dubladora (ela fez as vozes de ícones infantis no México, como a Tabatha de A Feiticeira e a Batgirl nos anos 60).
Com todo esse currículo, ingressou no elenco de Chespirito em 1968. Em Chaves, construiu a imortal Chiquinha (a sardenta e esperta filha do Seu Madruga, com seu inconfundível choro gritado) e sua avó sem dentes, Dona Neves. Em 1973, María precisou deixar o seriado temporariamente (quando Chiquinha viaja para viver com as tias do interior) devido à gravidez de seu filho Gabriel, fruto do casamento de 48 anos com Gabriel Fernández (o famoso locutor do programa Chespirito). Ela retornou em 1975 e consolidou sua presença nos programas de Bolaños pelas duas décadas seguintes. Além da atuação, María possuía grande talento para a escrita, sendo ela mesma a redatora de muitas piadas e detalhes estéticos de suas personagens (incluindo a icônica Bruxa Baratuxa, do Chapolin).
Na primeira metade dos anos 90, o clima amigável com Bolaños chegou ao fim. María estrelou o longa La Chilindrina en Apuros e o programa Aquí está la Chilindrina (1994). O que inicialmente teve o aval de Bolaños, logo sofreu boicotes da Televisa a pedido dele, para evitar que os atores usassem as marcas fora do seu controle.
Sentindo-se prejudicada, María Antonieta descobriu que os direitos autorais da personagem Chiquinha haviam expirado e que Bolaños não renovara o registro há mais de 10 anos. Imediatamente, ela assumiu a patente, registrando a personagem no próprio nome sob o argumento de que Bolaños idealizou o nome, mas ela foi quem conferiu o choro, a roupa, as sardas e a personalidade. A retaliação de Bolaños veio em forma de um megaprocesso judicial de direitos autorais. O conflito devastou a saúde de María, provocando um grave infarto no ano de 2002. María venceu a disputa na justiça, retendo os direitos em definitivo. Porém, a inimizade fez com que a Chiquinha ficasse completamente ausente do Chaves em Desenho Animado (2006).
Com temperamento forte e sem travas na língua, a atriz enfrentou várias polêmicas com ex-colegas. Após a morte de Chespirito, numa entrevista à TV peruana em 2014, ela declarou que Florinda Meza havia sido amante de Carlos Villagrán (Quico) e do próprio Bolaños, gerando enorme repercussão negativa. Em 2022, ela foi acusada de racismo e homofobia no Brasil após emitir opiniões criticando os imitadores da Chiquinha (em especial, um concurso onde uma pessoa negra e imitadores masculinos reinterpretavam o papel com conotações sexuais). Apesar das polêmicas, ela cultivou enorme carinho pelo público brasileiro, fazendo turnês grandiosas no país (em 2011 e 2013) e aprendendo português. María também chegou a fazer as pazes com Carlos Villagrán, após anos de inimizade nos bastidores, voltando a ter laços de amizade. Apenas em 2022, ela firmaria finalmente a paz com a família de Bolaños.
Em 2021, foi agraciada com a entrada no conceituado Guinness World Records, como a atriz de carreira mais longa na história interpretando a mesma criança (mais de 48 anos de carreira como Chiquinha). No cinema e na dublagem contemporânea, brilhou como a voz latino-americana da rebelde Vanellope von Schweetz em Detona Ralph (2012).
A vida pessoal nos últimos anos tem sido uma prova de resiliência. Lidando com fibromialgia (diagnosticada em 2012), problemas de audição severos que a obrigam a usar aparelhos (2016), a dramática perda do seu grande amor Gabriel por pneumonia (2019), internações e quedas, María Antonieta encerrou definitivamente o ciclo de apresentações com o vestido verde e os óculos caídos em julho de 2025, no Peru, coroando o descanso de um dos talentos cômicos mais espetaculares do México.
Cada voz corresponde a uma fase de exibição no Brasil — o rosto é o mesmo, a lembrança muda conforme onde você assistiu.
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O homem por trás do personagem, dentro e fora da vila.
A carreira que o acervo não vê — cinema, televisão e novelas fora do universo Chespirito.
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Ficha conferida em 11/08/2026 · curadoria
Atuação

OS SUPERGÊNIOS DA MESA QUADRADA / CHESPIRITO · 1970

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