Carlos Seidl
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Elenco / Ramón Valdés

ator · comediante · cantor-compositor
Ramón Esteban Gómez Valdés y Castillo · 1,75 m · 1949–1987 (38 anos)
02.09.1924 — Cidade do México, México09.08.1988 — Cidade do México, México
Nascido na Cidade do México e criado em uma família numerosa e humilde (com nove irmãos) que logo se mudou para Ciudad Juárez, Ramón Valdés viria a se tornar um dos maiores ícones da comédia latino-americana. Em uma carreira que abrangeu quatro décadas e mais de 50 filmes, ele eternizou o papel do adorável e ranzinza Seu Madruga (Don Ramón) em Chaves, consolidando um legado que transcendeu fronteiras e gerações, em especial no Brasil, onde alcançou um status quase mitológico.
O talento para a comédia estava no sangue da família Valdés. Quando jovem, Ramón enfrentou dificuldades financeiras e pulou de emprego em emprego para se sustentar. A guinada aconteceu no final dos anos 1940, apadrinhado por seu irmão mais velho, Germán Valdés (o lendário "Tin Tan"), que já era um sucesso no rádio e no cinema. Ramón fez sua estreia nas telonas ao lado do irmão em Calabacitas tiernas (1949), marcando sua entrada oficial na Época de Ouro do cinema mexicano.
Durante as décadas seguintes, Ramón consolidou-se como um ator coadjuvante prolífico. Ele dividiu as telas não apenas com Tin Tan, mas também com ícones como Mario Moreno ("Cantinflas") e Pedro Infante. Além dele e de Tin Tan, outros dois irmãos também deixaram grandes marcas na comédia nacional: Manuel "El Loco" Valdés (pai do famoso cantor Cristian Castro) e Antonio "El Ratón" Valdés.
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O ano de 1968 mudou definitivamente sua vida. O escritor e diretor Roberto Gómez Bolaños (Chespirito), admirador do seu trabalho, convidou-o para integrar o elenco de um novo programa chamado Los supergenios de la mesa cuadrada. A partir de 1971, essa parceria se converteu nos fenômenos Chaves e Chapolin.
Foi em Chaves que Ramón encontrou o papel de sua vida: Seu Madruga (Don Ramón), o vizinho desempregado, endividado e de pavio curto, mas com um enorme coração. A orientação de Bolaños foi simples: "Seja você mesmo". Valdés emprestou muito de sua própria essência ao personagem, desde as roupas (calça jeans, camiseta desbotada e chapéu surrado eram suas roupas do dia a dia) até frases, trejeitos e a paixão fanática pelo time de futebol Necaxa. No universo de Chapolin, ele também imortalizou vilões clássicos como o Racha Cuca (Rascabuches), Tripa Seca, Pirata Alma Negra, e o inesquecível capitalista ianque Súper Sam.
Os colegas de elenco sempre o descreveram como o mais divertido fora das câmeras. O próprio Chespirito declarou que Ramón foi o único comediante que já o fez "morrer de rir". Ele cultivou fortes amizades com Rubén Aguirre (Professor Girafales), Edgar Vivar (Senhor Barriga) e, especialmente, Angelines Fernández (Dona Clotilde), que ele próprio havia indicado a Chespirito e com quem nutria um carinho fraterno.
Apesar do sucesso estrondoso, Ramón Valdés surpreendeu o público ao deixar os programas de Chespirito em 1979 (pouco depois da saída de Carlos Villagrán, o Quico). Diferentes versões cercam a decisão: a necessidade de faturar com shows em circos ou a insatisfação com a direção crescente de Florinda Meza. Em entrevistas posteriores, sua família cravou que o descontentamento surgiu após a esposa de Bolaños começar a ter mais ingerência técnica no seriado, o que incomodou Ramón.
Ramón retornou ao elenco de Chespirito em 1981, atuando por mais alguns meses, mas deixou a turma em definitivo antes do fim daquele ano, pelas mesmas divergências nos bastidores.
A partir de 1982, decidiu trabalhar com Villagrán. Eles viajaram à Venezuela para protagonizar a série Federrico, mas a baixa audiência fez Ramón voltar ao México após apenas uma temporada. Sua rotina passou a focar nas turnês circenses incansáveis. Em 1987, voltou a trabalhar na TV com Villagrán em ¡Ah, que Kiko!, onde curiosamente gravou sua última cena em um cenário de cemitério — fato que Villagrán considera "premonitório", visto que Ramón abandonaria o projeto pouco tempo depois por conta da saúde fragilizada.
Um fumante inveterado (inclusive no set de gravação), Valdés foi diagnosticado em 1985 com câncer no estômago. Para tentar barrar a doença, ele chegou a passar por uma cirurgia para reduzir seu estômago a um terço do tamanho, porém o tumor já havia gerado metástase na medula espinhal (coluna vertebral). Visando poupá-lo, sua família pediu aos médicos que não lhe contassem sobre a gravidade da doença. Ele continuou trabalhando vigorosamente em seus shows em circos e animando crianças que o adoravam. Durante uma turnê pelo Peru em 1987 (onde chegou a gravar um comercial de doces), passou mal e precisou retornar às pressas ao México.
Passou os últimos meses internado, grande parte do tempo sob forte sedação para evitar as dores excruciantes, embora jamais tenha largado o cigarro. Ao receber a visita de Edgar Vivar no hospital, brincou: "Senhor Barriga, não poderei mais lhe pagar o aluguel". Ramón faleceu em 9 de agosto de 1988, aos 63 anos.
Sua partida foi chorada em toda a América Latina. Hoje, sua imagem transcende a televisão, tendo se tornado um símbolo pop de resistência e cultura de massa. Em 2012, o carinho pelo ator ficou evidente quando dezenas de fãs brasileiros visitaram o cemitério na Cidade do México e ajudaram a restaurar as lápides dele e de Angelines Fernández, que estavam em mau estado. Em 2019, seu filho Esteban Valdés iniciou a produção de um documentário em sua homenagem intitulado Con permisito dijo Monchito. Em 2022, Esteban visitou pessoalmente o Brasil para eventos em tributo ao legado do pai.
Cada voz corresponde a uma fase de exibição no Brasil — o rosto é o mesmo, a lembrança muda conforme onde você assistiu.
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O homem por trás do personagem, dentro e fora da vila.
A carreira que o acervo não vê — cinema, televisão e novelas fora do universo Chespirito.
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Ficha conferida em 11/08/2026 · curadoria
Atuação

OS SUPERGÊNIOS DA MESA QUADRADA / CHESPIRITO · 1971

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