Marcelo Gastaldi
464esquetes
SBT — a primeira voz e diretor de dublagem clássico
MAGA
Elenco / Roberto Gómez Bolaños

ator · comediante · diretor de televisão · produtor · roteirista · escritor · compositor · dramaturgo
Roberto Mario Gómez y Bolaños · 1,62 m · 1952–1995 (43 anos)
21.02.1929 — Cidade do México, México28.11.2014 — Cancún, Quintana Roo, México
Criador, ator, roteirista e o coração absoluto do universo Chespirito. Roberto Gómez Bolaños, mundialmente conhecido pela alcunha que batizou seu programa principal, transformou o humor da televisão latino-americana para sempre. Foi o rosto do Chaves, o menino do barril, e do Chapolin Colorado, o herói medroso, mas sua carreira artística abrangeu muito mais do que a atuação. Escritor prolífico, ele concebia os roteiros, dirigia, produzia, compunha músicas e comandava um elenco magistral que atravessaria gerações. É indiscutivelmente reconhecido como um dos maiores ícones da comédia do século XX.
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Nasceu na Cidade do México, em 21 de fevereiro de 1929. Filho do pintor e ilustrador Francisco Gómez Linares e da secretária bilíngue Elsa Bolaños Cacho, teve uma infância marcada por uma perda precoce. Quando Roberto tinha apenas seis anos, seu pai foi vitimado por um derrame cerebral. O garoto ficou horas na janela de casa esperando a volta do pai, até compreender que ele não retornaria. Elsa criou os filhos praticamente sozinha, garantindo, à custa de muito sacrifício, o acesso às melhores escolas.
Desde cedo, Bolaños era apaixonado por esportes. Amava o futebol e o boxe. Chegou a tentar a carreira nos gramados (no clube Marte) e nos ringues — ganhando até um campeonato amador (Luvas de Ouro) —, mas seu porte físico miúdo, pesando pouco e medindo não mais que 1,62m na fase adulta, o impediu de se tornar um atleta profissional. Mais tarde, ele abandonou o gosto pelo boxe, mas o amor pelo futebol duraria a vida inteira.
Por influência de um tio, que era engenheiro, Roberto ingressou na Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) para estudar Engenharia Mecânica. No entanto, a veia criativa bateu mais forte: ele nunca se formou e nunca exerceu a profissão. Seu caminho mudaria de rumo nos anos 1950, ao ler um anúncio de jornal.
Em 1952, a agência publicitária D'Arcy buscava um "aprendiz de produtor" e um "aprendiz de redator". Chegando lá, Roberto viu que a fila para a vaga de produtor era enorme, enquanto a de redator estava vazia. Optou pela menor e acabou contratado. Rapidamente, destacou-se escrevendo vinhetas, jingles, cartazes e até tirinhas humorísticas.
Sua habilidade para a escrita era espantosa. Em pouco tempo, ele passou a escrever roteiros para a lendária dupla cômica Viruta e Capulina, primeiro no rádio e, logo depois, na televisão, no programa Cómicos y canciones. Seus roteiros faziam tanto sucesso que ele também foi chamado para escrever para o programa El Estúdio de Pedro Vargas. Os dois programas disputavam a liderança de audiência no Telesistema Mexicano (futura Televisa).
Foi no cinema, porém, que ele ganhou o apelido que o eternizaria. Em 1958, ao escrever o roteiro do filme Los Legionarios, o diretor Agustín P. Delgado ficou tão impressionado com a agilidade criativa e a capacidade do jovem de escrever histórias prolíficas que o comparou a William Shakespeare. Por ser muito baixo, Delgado o chamou de "Pequeno Shakespeare", ou Chespirito (numa castelhanização carinhosa da pronúncia de Shakespeare). Bolaños gostou tanto do apelido que o adotou como nome artístico para o resto da vida.
Roberto não tinha intenção de ser ator. Sua primeira experiência real atuando aconteceu por acaso, quando um ator do programa Cómicos y canciones faltou. Como Roberto havia escrito o texto e sabia as falas de cor, substituiu o colega. Assim começaram suas participações pontuais em esquetes e no cinema (como em Dos locos en escena, de 1960).
Em 1968, com o fim dos programas que roteirizava, Chespirito enfrentou dificuldades. Viruta e Capulina já se mostravam incomodados com o destaque do roteirista, temendo serem ofuscados. Foi então que ele recebeu um convite da recém-criada Televisión Independiente de México (TIM) para ter um espaço próprio de meia hora. Nascia ali El ciudadano Gómez e, logo depois, no programa Sábados de la fortuna, surgiu o quadro Los Supergenios de la Mesa Cuadrada. Nele, Bolaños já atuava ao lado de Ramón Valdés, Rubén Aguirre e María Antonieta de las Nieves — estava formado o núcleo original que dominaria a televisão.
Em 1970, nasce o Chapolin Colorado — uma paródia inteligente e humana aos super-heróis blindados dos Estados Unidos. Um herói cheio de falhas, medroso, mas que superava seus medos para fazer o bem. Um ano depois, surgiu o Chaves, retratando de forma genial a pobreza e a inocência de um menino de vila.
A popularidade de ambos foi tão estrondosa que deixaram de ser esquetes para se tornarem programas de meia hora independentes em 1973. Bolaños, como roteirista único e intérprete principal, mergulhou num ritmo de trabalho alucinante. Seus programas se tornaram a principal vitrine internacional do México, sendo vendidos para mais de cinquenta países.
Ele criou e deu vida também a personagens como o Doutor Chapatín, o adorável meliante Chómpiras (em Os Caquitos) — que se tornou seu próprio personagem favorito e ganhou muito espaço nas décadas de 80 e 90 —, o jornalista Vicente Chambón (em La Chicharra) e o lunático Chaparrón Bonaparte (nos Chifladitos). O ritmo pesava. Ao longo dos anos, Roberto sofreu acidentes nas gravações. Em 1973, deu um tiro acidental na própria mão, forçando a emissora a exibir reprises por oito semanas. Em 1979, machucou o olho esquerdo durante uma cena de ação do Chapolin, o que, somado à idade, foi um dos motivos que o fez decidir encerrar a série própria do herói para evitar lesões maiores, voltando a encená-lo apenas em esquetes.
No cinema, estrelou El Chanfle (1979), que quebrou recordes de bilheteria e narrava a história do atrapalhado roupeiro de seu time do coração, o Club América. No teatro, também liderou bilheterias por quase sete anos com a comédia 11 e 12.
Roberto comandou ininterruptamente o Programa Chespirito até 1995. Naquele ano, a Televisa decidiu remover a comédia do horário nobre para colocar telenovelas, rebaixando seu programa para os finais de semana. Contrariado, Bolaños preferiu encerrar a atração de vez, aposentando-se da televisão após 43 anos e recusando rios de dinheiro de outras emissoras que tentaram contratá-lo.
Casou-se em 1956 com Graciela Fernández, com quem teve seis filhos. Apesar do sucesso, Bolaños admitiria anos depois em sua autobiografia ter sido muito infiel no casamento, fato que lhe causava profunda culpa. A separação de Graciela ocorreu no fim da década de 70, impulsionada pelo romance de Bolaños com Florinda Meza, a Dona Florinda, vinte anos mais nova.
Eles começaram a namorar abertamente durante uma turnê do grupo no Chile em 1977. O relacionamento causou atritos nos bastidores, especialmente depois que Roberto começou a dar poderes de direção a Florinda. O casal dividiu a vida por 27 anos, casando-se oficialmente no civil apenas em 2004. Não tiveram filhos juntos, pois Roberto havia feito vasectomia muito tempo antes.
O grupo também enfrentou rachas célebres. A saída de Carlos Villagrán (Quico) foi a mais amarga, envolvendo diretas farpas e restrições sobre o uso do personagem. Villagrán chegou a acusar Chespirito de ter participado de festas de narcotraficantes (incluindo uma do Cartel de Cali, e de Pablo Escobar), algo que Roberto desmentiu e repudiou em comunicados oficiais, garantindo jamais ter tido laços com o crime organizado (embora María Antonieta tenha afirmado que o grupo se apresentou na comunhão da família de um narcotraficante). Mais tarde, enfrentou um doloroso e prolongado processo judicial contra María Antonieta de las Nieves (a Chiquinha) pelos direitos autorais da personagem, que ela havia registrado em seu nome num descuido da Televisa.
Ele também esteve envolto em polêmicas políticas. Declaradamente simpático ao conservadorismo e aos presidentes do Partido de Ação Nacional (PAN) nos anos 2000, Chespirito manifestou-se contra a descriminalização do aborto na capital mexicana em comerciais de TV e criticou protestos de rua e movimentos estudantis, gerando enorme controvérsia no México.
A explosão fenomenal do Chaves e do Chapolin no Brasil desde os anos 80, transmitidos pelo SBT, deveu muito a Marcelo Gastaldi, o diretor de dublagem que emprestou a voz a Bolaños. Gastaldi soube adaptar o texto magistral de Roberto para a cultura brasileira (inserindo desde bordões locais até citações ao Corinthians), garantindo que as piadas não perdessem a força.
Curiosamente, Bolaños só veio ao Brasil uma vez documentada: em 1981, de passagem por Foz do Iguaçu (PR) durante uma turnê sul-americana. Ele nunca fez shows por aqui temendo a barreira do idioma, e mais tarde, quando as homenagens aumentaram, a idade avançada e a proibição médica o impediram de voar.
No entanto, Roberto cultivava grande carinho pelo país. Era apaixonado por Pelé — com quem chegou a conversar por telefone recusando polidamente uma oferta para fazer um filme do Chaves, pois acreditava que a obra só funcionava na TV. Em seus últimos anos de vida, dominou o Twitter, sempre publicando mensagens emocionadas aos fãs brasileiros. A última publicação de toda a sua vida na rede social foi justamente a resposta a uma fã: "Todo meu amor para o Brasil".
Fumante por cerca de 40 anos, Chespirito desenvolveu enfisema pulmonar. Em 2009, precisou passar por uma delicada cirurgia de retirada da próstata em razão de um câncer no local, o que lhe deixou sequelas severas, afetando sua fala e a capacidade de andar. As crises respiratórias o forçaram a abandonar a Cidade do México, mudando-se em definitivo para Cancún em 2011.
Lá, viveu seus anos finais estabelecido em uma cadeira de rodas, necessitando de tubos de oxigênio e recebendo pouquíssimas visitas, resguardado por Florinda. A doença de Parkinson também agravou o quadro. Em 2012, durante o grandioso evento "América Celebra a Chespirito", no qual foi homenageado por seus 40 anos de carreira em pleno Auditório Nacional no México, ele sofreu uma forte queda de pressão devido à emoção extrema e precisou ser internado às pressas.
Roberto Gómez Bolaños morreu no dia 28 de novembro de 2014, aos 85 anos, devido a complicações respiratórias em sua residência.
Seu corpo foi transportado até a Cidade do México para um velório catártico no Estádio Azteca (o templo do futebol que tanto amava, casa do Club América), diante de milhares de pessoas, entre lágrimas e fantasias de Chapolin e Chaves. Foi o fim da vida do gênio das letras e das câmeras, e a imortalidade absoluta de sua obra na memória de toda a América Latina.
Cada voz corresponde a uma fase de exibição no Brasil — o rosto é o mesmo, a lembrança muda conforme onde você assistiu.
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SBT — a primeira voz e diretor de dublagem clássico
MAGA
O homem por trás do personagem, dentro e fora da vila.
A carreira que o acervo não vê — cinema, televisão e novelas fora do universo Chespirito.
O que ele escreveu, e o que escreveram sobre ele.

livro · 1995
Livro em que o Chaves narra um pouco de sua vida.

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autobiografia · 2006
Autobiografia oficial, onde repassa sua vida, a origem dos personagens e as polêmicas do elenco.
Ficha conferida em 10/08/2026 · curadoria
Atuação

OS SUPERGÊNIOS DA MESA QUADRADA / CHESPIRITO · 1970

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