Nelson Machado
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Elenco / Carlos Villagrán

ator · comediante · diretor de televisão · jornalista
Carlos Villagrán Eslava · 1,80 m · 1968–presente
12.01.1944 — Cidade do México, México
Ator, comediante e ex-jornalista mexicano, mundialmente famoso por interpretar o garoto mimado Quico em Chaves. Sua habilidade física para inflar as bochechas e produzir sons pitorescos transformou o personagem em um fenômeno cultural de dimensões continentais. Após uma saída amarga e controversa do elenco de Chespirito no auge da fama, ele trilhou uma carreira solo intensa, protagonizando programas próprios na Venezuela e no México, sempre carregando o peso e o estrondoso sucesso de seu personagem principal. Fora das telas, é lembrado por suas diversas polêmicas envolvendo Bolaños, seu forte amor pelo Brasil (ao ponto de batizar filhos com nomes de jogadores de futebol) e sua longa carreira de espetáculos circenses por toda a América.
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Antes de encontrar a comédia, Carlos Villagrán Eslava, nascido numa família humilde, iniciou sua vida profissional como fotojornalista para o jornal mexicano Heraldo de México. Nessa função, cobriu os Jogos Olímpicos da Cidade do México em 1968 e a Copa do Mundo de 1970. No entanto, sua vocação artística o levou a procurar trabalhos no teatro e na TV, conciliando inicialmente as duas profissões.
Seu primeiro personagem de destaque na televisão chamava-se "Pirolo", no programa El club de los millonarios (1968), apelido pelo qual foi conhecido durante muito tempo no México. Posteriormente, atuou no programa infantil El club de Shory (1968), onde interpretava a inusitada velhinha "Lola Mento", já demonstrando o choro e as bochechas que virariam sua marca registrada.
O encontro definitivo de sua vida ocorreu no início da década de 1970, durante uma festa na casa de seu grande amigo Rubén Aguirre. Na ocasião, Rubén colocou Carlos no colo e os dois encenaram um número em que Villagrán imitava um boneco de ventríloquo, inflando as bochechas de forma cômica (técnica que ele treinava imitando um tio chamado Chapera). Roberto Gómez Bolaños presenciou a cena e ficou maravilhado, convidando-o imediatamente para entrar no elenco de seus programas.
Assim nasceu Quico (cujo nome real na trama é Federico). Mimado e invejoso, o menino de traje de marinheiro encantou o público e imortalizou bordões que entraram para o vocabulário latino-americano. Em Chapolin Colorado, demonstrou grande versatilidade em papéis antológicos como o gângster Quase Nada (El Cuajinais).
No final de 1978, no auge absoluto de Chaves, Carlos Villagrán deixou o programa em meio a uma das maiores controvérsias da televisão mexicana. Embora as versões conflitem fortemente até hoje, sabe-se que havia duas grandes razões por trás do rompimento:
A saída foi dura. Villagrán tentou criar um programa solo na Televisa, mas recusou-se a creditar Bolaños como o criador intelectual do personagem. Impedido de atuar na rede e processado por Roberto pelos direitos autorais do "Quico", Carlos se viu proibido de encarnar a figura no México, perdendo o processo na justiça.
Desligado e vetado pela gigante mexicana, Villagrán partiu para a Rádio Caracas Televisión (RCTV) na Venezuela. Para contornar os direitos legais, ele alterou a grafia e patenteou sua versão como "Kiko" (com K).
Na Venezuela, produziu e protagonizou comédias que mimetizavam a vila de Chaves, entre elas Kiko Botones (1981) e Federrico (1982) – este último contando com a participação especial do parceiro de outrora, Ramón Valdés (Seu Madruga). Os programas alcançaram moderado êxito e foram exportados, sem no entanto jamais chegar perto da histeria atingida por El Chavo. Em 1987, voltou ao México e estreou pela Tele Rey a série ¡Ah, qué Kiko!, novamente ao lado de Ramón Valdés, mas que durou pouco devido à saúde frágil e precoce falecimento do amigo.
Após afastar-se temporariamente da televisão, Villagrán adotou um estilo de vida itinerante, percorrendo a América Latina com o "Circo do Kiko". Carlos se casou por três vezes na vida e teve um total de seis filhos. Fã incondicional do futebol brasileiro por ter coberto a mítica Seleção de 70, ele batizou dois de seus filhos, Edson e Paulo, em homenagem a Pelé e Paulo César Caju.
O ator nutriu um relacionamento fortíssimo com o Brasil ao longo das décadas, realizando inúmeras turnês pelo país de 1995 até 2018. Em 2013, o então prefeito de Porto Alegre nomeou Carlos como o "embaixador da Copa do Mundo" da cidade de forma honorária. Villagrán frequentou diversos programas de talk show, torceu ativamente por clubes como São Paulo e Grêmio, e até participou como ator convidado na comédia brasileira Como se Tornar o Pior Aluno da Escola (2017) ao lado de Danilo Gentili.
A vida nos circos rendeu histórias singulares. Durante uma apresentação no Peru, uma fã infantil furou a segurança do circo para abraçá-lo e acabou sendo atacada por um tigre, sobrevivendo com ferimentos superficiais após a intervenção dos domadores — a garotinha machucada insistiu no abraço a "Kiko" antes de ser socorrida.
Na esfera pública, as declarações de Villagrán frequentemente causaram ruído na mídia. Apesar do celebrado "reencontro" e abraço televisivo entre ele e Chespirito no ano 2000, a paz foi curta e os dois nunca mais se falaram. Villagrán o acusou de fazer apresentações a traficantes de drogas da Colômbia e até declarou suspeitas de que o caixão do ex-patrão, no funeral de 2014, estaria vazio num evento planejado por Florinda Meza.
No campo político, o ator chegou a ser registrado em 2021 pelo Partido Querétaro Independente, aspirando candidatar-se à prefeitura ou ao governo de Querétaro, mas a aliança desmoronou.
Mais recentemente, no fim de 2023, o ator revelou estar se recuperando de uma delicada cirurgia para remoção de um câncer de próstata (ocorrido na mesma época em que sua filha Vanessa tratou um câncer de mama). Aos 80 anos, superando polêmicas e barreiras de idioma, Carlos Villagrán continua na memória do mundo latino, sendo ovacionado por gerações em feiras de cultura pop.
Cada voz corresponde a uma fase de exibição no Brasil — o rosto é o mesmo, a lembrança muda conforme onde você assistiu.
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O homem por trás do personagem, dentro e fora da vila.
A carreira que o acervo não vê — cinema, televisão e novelas fora do universo Chespirito.
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Ficha conferida em 11/08/2026 · curadoria
Atuação

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