César Leitão
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Elenco / Édgar Vivar

ator · comediante · dublador · médico
Édgar Ángel Vivar Villanueva · 1,70 m · 1964–presente
28.12.1948 — Cidade do México, México
Um dos talentos mais queridos e versáteis do universo de Chespirito, Édgar Vivar é imortalizado pelos papéis do eterno cobrador de aluguéis Senhor Barriga e seu filho Nhonho em Chaves, bem como pelo melancólico ex-ladrão Botijão em Los Caquitos. Formado em medicina antes de dedicar-se às artes, Vivar destacou-se pela fidelidade inabalável a Roberto Gómez Bolaños (permanecendo com ele até o último dia do programa Chespirito em 1995) e por sua longa batalha contra a obesidade, que moldou seus personagens mas quase lhe custou a vida. Possui uma vasta carreira de ator fora da TV mexicana, tendo participado de dublagens e filmes internacionais. Detém um vínculo afetuoso e intenso com o Brasil, sendo o ator do elenco original que mais vezes visitou o país.
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Édgar Ángel Vivar Villanueva nasceu na Cidade do México e lidou com a obesidade desde a infância, sofrendo intenso bullying por ser gordo, usar óculos e ter dentes saltados — experiências que hoje o motivam a realizar palestras contra o bullying.
Sua primeira formação não foi artística, mas acadêmica: Édgar formou-se em medicina clínica pela tradicional Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), chegando a trabalhar por dois anos em um hospital enquanto conciliava plantões com seus primeiros estudos de atuação. No início da década de 70, Édgar protagonizou um comercial televisivo para uma marca de geladeiras. O timing cômico e a figura bonachona de Vivar chamaram a atenção de Roberto Gómez Bolaños, que imediatamente o convidou para integrar seus programas de humor. O sucesso foi tamanho que o jaleco médico logo foi abandonado em favor da atuação em tempo integral.
No seriado Chaves, Vivar abraçou duas responsabilidades icônicas. A primeira foi o proprietário da vila, Zenón Barriga y Pesado (Senhor Barriga), o infeliz cobrador que, além de tolerar a inadimplência de Seu Madruga (que lhe devia eternos 14 meses de aluguel), era sistematicamente recebido com pancadas pelo Chaves ao cruzar a porta. O personagem exibia uma mistura notável de impaciência e ternura paternal pelos moradores da vizinhança.
Sua segunda encarnação em Chaves foi Nhonho (Febronio Barriga Gordorritúa), filho do dono da vila e colega de escola das crianças, famoso pela gula ("Olha ele, hein!") e pelo riso contagiante. Mais tarde, no quadro Los Caquitos (nos anos 80 e 90), deu vida a Botijão, parceiro de Chômpiras e marido de Chimoltrufia. Diferente do ranzinza Senhor Barriga, o Botijão exigia um trabalho dramático sutil, retratando o cansaço e a amargura de um homem marginalizado em busca de redenção e dignidade no trabalho honesto. Ao lado de Florinda Meza e Rubén Aguirre, Vivar foi o único pilar fixo que acompanhou Bolaños ininterruptamente até o episódio final da franquia em 1995. Durante os anos 80, montou também o seu próprio circo para excursionar com os personagens.
Se a estrutura física avantajada rendeu a base de seus principais personagens, nos bastidores ela se transformou em um pesadelo crônico. O excesso de peso levou Édgar a sofrer de sérios problemas cardiovasculares e desequilíbrios glandulares, forçando um afastamento emergencial das gravações em 1992.
A situação chegou a extremos críticos. O ator sofreu duas perigosas embolias pulmonares e, a partir de 2003, precisou recorrer ao uso contínuo de um cilindro de oxigênio portátil e um marcapasso gástrico. Em janeiro de 2008, pesando mais de 160 quilos e sob severo risco de morte, Édgar foi submetido a uma arriscada cirurgia bariátrica em Monterrey, que resultou na perda de 84 quilos — mudança drástica de visual que marcou o "renascimento" do ator, embora ainda o obrigasse a tratar sequelas posteriores como anemia.
Findada a era Chespirito, Vivar recusou-se a estagnar e abraçou a maturidade de sua carreira, transitando para papéis dramáticos e produções internacionais. Atuou no cinema em Hollywood no longa Bandidas (2006, com Salma Hayek e Penélope Cruz) e fez uma participação fantástica como o paranormal Balabán no aclamado thriller de terror espanhol O Orfanato (2007).
Além disso, Édgar firmou-se como um dos maiores e mais cobiçados dubladores mexicanos da atualidade. Emprestou sua voz a blockbusters de animação como Ratatouille (Chef Auguste Gusteau na versão em espanhol latino), Up: Altas Aventuras (Dug) e Meu Malvado Favorito 2 e 3 (Silas Pietraserón).
Entre todos os veteranos da vila, ninguém nutriu uma relação tão profunda, constante e calorosa com o Brasil quanto Édgar Vivar. Com mais de 20 visitas oficiais ao país (a primeira em 2003, no SBT), o ator frequentemente desembarca em território nacional para apresentar shows musicais, participar da Comic Con Experience (CCXP) e se reencontrar com gerações de "chavesmaníacos".
Em 2003, viveu um momento marcante ao conhecer e abraçar seu dublador histórico, o saudoso Mário Vilela. Empenhado, Édgar passou a estudar a língua portuguesa para interagir com o público, chegando a quebrar a "quarta parede" idiomática ao participar, no idioma local, de sitcoms do canal Multishow como Vai Que Cola (2018) e No Corre (2023).
Adiou algumas vezes planos de aposentadoria e cirurgias no joelho e permanece um espírito ativíssimo e gentil no meio artístico. Anunciou recentemente estar redigindo um livro de memórias que, a pedido seu, só será publicado após a sua morte — preservando para o futuro as páginas finais de uma das carreiras mais luminosas da televisão latina.
Cada voz corresponde a uma fase de exibição no Brasil — o rosto é o mesmo, a lembrança muda conforme onde você assistiu.
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O homem por trás do personagem, dentro e fora da vila.
A carreira que o acervo não vê — cinema, televisão e novelas fora do universo Chespirito.
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Ficha conferida em 11/08/2026 · curadoria
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